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[5 mitos sobre analytics] 5 — Dashboards

[5 mitos sobre analytics] 5 — Dashboards

Dashboards. O que são? Onde vivem? Como se reproduzem? Entenda tudo hoje, neste post.

Painel de Indicadores

Dashboards são, em sua essência, apenas painéis de indicadores que têm o objetivo de resumir e informar de maneira rápida o status atual da companhia.

Suas intenções não poderiam ser melhores. Todos os gestores precisam, em tese, de uma bússola, uma orientação para se guiar em meio a tantos dados gerados pela companhia.

A criação de um painel de indicadores, um dashboard operacional, centralizaria a busca por informações do gestor, ajudando-o assim a tomar decisões mais rápidas e assertivas. Também diminuiria o fluxo de pedidos pontuais aos times de TI e de outras áreas, que gastam grande parte do seu tempo produzindo relatórios específicos e que dificilmente serão reutilizados.

Mentirinha

Infelizmente uma grande mentirinha ronda o mito do dashboard: a premissa de que os executivos têm tempo de parar tudo o que estão fazendo para abrir uma tela específica e olhar gráficos. Me desculpem os puristas, mas no dia-a-dia é: SPARTAAAA!

Não há tempo para painéis personalizados, drill-downs e outros animais raros da tecnologia da informação. Só há tempo para fazer o que deve ser feito.

Sério. Eu entendo. Não é por mal. Mas ainda é mais fácil pegar o telefone e ligar para o cara do comercial e perguntar o volume de vendas do mês do que acessar aquele portal meio mal feito, meio feio e meio incorreto — porque não descontou aquela taxa, daquela venda, por conta daquela situação — que disponibilizaram na intranet da companhia (ou pior, no app personalizado).

Quando você atrasa o pagamento de um fornecedor porque o parâmetro X Y Z da nota não bateu e você não conseguiu dar entrada no seu ERP, você deixou de honrar um compromisso em troca de honrar um processo mal feito. É o trabalho pelo trabalho, o processo pelo processo.

E antes que as trombetas soem, anunciando que estou sendo simplista, e que a informação sistematizada e processada dentro da infraestrutura de tecnologia tem inúmeras vantagens, deixem-me dizer algo duro: a realidade e o mercado ditam o que é bom e o que merece atenção. Não seus fetiches tecnológicos.

O mercado manda

Pergunta: Quando trocamos o correio pelos meios digitais? Quando eles funcionaram melhor que o correio.

É o senso comum, correto? Você troca o antigo pelo novo quando ele passa a ser melhor, mais rápido, mais eficiente. Não porque é mais legal, ou sexy ou é uma novidade.

Infelizmente essa troca não aconteceu com Dashboards e painéis de indicadores, eles simplesmente foram “inspirados nos cockpits de carros e aviões” e foram inseridos goela abaixo pelos fornecedores de softwares.

Já conversamos uma vez sobre metáforas, e sabemos o quanto elas podem ser perigosas para tirarmos conclusões precipitadas. O painel de indicadores do piloto e do motorista seriam analogias bastante interessantes para diretores e gerentes de grandes empresas, se não fossem coisas absolutamente diferentes.

O trabalho do piloto é pilotar e cumprir a sua missão. Para isso seu dashboard o ajuda com informações em tempo real de sensores calibrados e precisos. São importantes? Sim, mas por um motivo que todos fingem ignorar: CONTEXTO.

O corredor de F1 já sabe sua missão, e as regras estão extremamente bem definidas. Então por esse motivo seu painel de indicadores, seu dashboard, já está extremamente otimizado para fornecer informações que sejam importantes para que cumpra seu trabalho. Da mesma forma sua equipe de apoio, todos os mecânicos, técnicos e engenheiros, desfrutam de painéis de controle e de indicadores específicos para acompanhar o desempenho e as estatísticas criadas em cada corrida.

Pedir para um executivo parar seu trabalho para olhar um dashboard sem contexto, é como pedir para o piloto parar o carro e olhar uma dashboard com a meteorologia dos próximos dias. Certamente são informações relevantes, mas não para aquele contexto (a corrida) e muito menos para ele (o piloto), que apenas deveria ser avisado por sua equipe sobre as condições.

Sempre escutamos aquela convesa de que dados não valem nada e que as informações é que são importantes. Eu diria que sem contexto, as informações também não valem nada.

[6]Toda informação do mundo é uma grande bobagem se estiver fora do contexto adequado.

Então qual é a solução?

A de sempre, senhores. Trabalho. Tudo que vale a pena nessa vida, no final das contas, dá trabalho.

Se você quer, de verdade, entregar insights para o time executivo e para a empresa toda (já discutimos que analytics não são só para a diretoria..), não vai dar para pegar um painel pronto e resolver em 30 minutos que informações vão estar lá.

O time de tecnologia terá que estar em sintonia com o time executivo, entender a estratégia da companhia, entender qual é a preocupação atual, o que é relevante às 10h da manhã da segunda, o que é relevante 16h na quinta-feira e o que é necessário quando estão viajando.

Sem firulas, sem jargões, poupe o time executivo do seu conhecimento técnico. Ei, CEO, se conseguíssemos prever algum desse indicadores aqui, isso criaria valor para a empresa? Qual custo mais impacta nossa margem EBITDA? Qual é o mais fácil atacar nas próximas 48h? Nas próximas duas semanas?

Execute, execute, execute…

Nunca aconselharia uma empresa a perseguir um projeto de Big Data, ou de Machine Learning, ou de qualquer coisa. Aconselharia ela a entender onde ela quer chegar, e a projetar um caminho para aumentar sua margem operacional ou inovar e “disruptar” seu mercado. Todo o resto virá na sequência, na medida em que forem necessários.

Dashboards são legais. Eu te entendo perfeitamente.

Mas se você quiser que a tecnologia entregue ebitda, caixa, margem, eficiência, redução de erros e decisões melhores, precisará trabalhar no contexto da informação, e não só no visual.

Esse é o verdadeiro benefício do Aprendizado de Máquina (machine learning), Big Data, e outras tecnologias novas. Elas permitem que os sistemas aprendam os contextos corretos e entreguem informações relevantes, e não só mais do mesmo.

Esse, senhores, é nosso trabalho na J!Quant. Entregar benefícios reais com a tecnologia, e não simplesmente enfiar mais meia dúzia de telas na cara das pessoas.

Abs!

Veja também nossos outros posts da série sobre Analytics:

Série de posts — 5 mitos sobre Analytics

1 — Eu não uso

2 — Meu banco de dados está “sujo”

3 — Eu não preciso de uma Ferrari

4 — É para a diretoria