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[5 mitos sobre analytics] 3 — eu não preciso de uma Ferrari

[5 mitos sobre analytics] 3 — eu não preciso de uma Ferrari

Metáforas e ditados populares

Sempre fiquei impressionado com o poder das metáforas e dos dizeres populares.Não é raro ver um assunto complexo ser resolvido com “uma coisa, uma coisa, outra coisa, outra coisa”, seguido de “Temos que fazer o jogo de corpo sem fazer falta”.

Acho muito bom conseguirmos sintetizar tanta informação em palavras tão fáceis de serem digeridas. É uma poderosa ferramenta de comunicação.

Mas é como dizem: a diferença entre o remédio e o veneno é…a dose!

Analytics, Data Science e a Ferrari

Projetos que envolvem análise de dados, algoritmos preditivos/prescritivos e outras ferramentas de analytics, tendem a ser mais longos, mais complexos e mais caros do que seus pares — projetos sem analytics.

E a verdade é que, em geral, é melhor gastar menos dinheiro do que mais dinheiro. Certo?

É por isso que empresas e profissionais que trabalham com serviços relacionados a conhecimento, pesquisa e desenvolvimento, sofrem com a metáfora da Ferrari. Explico.

O gestor é apresentado a dois softwares ou projetos similares, mas com preços bastante díspares.

- Por que tanta diferença de preço?

- O sistema mais caro possui uma plataforma de inteligência artificial que se aperfeiçoará com o tempo. Ele também irá aumentar nossa eficiência operacional.

- Mas o mais barato funciona também?

- Funciona. Tem todas as funcionalidades básicas.

- Então pronto. Não precisamos de uma Ferrari.

Outras Ferraris

A metáfora, como todo modelo, é essencialmente uma simplificação. E a grande questão é que nesta simplificação, chamamos a inovação, a pesquisa e desenvolvimento, de luxo.

1

Dois rapazes de Stanford, em 1995–97, trabalharam em um projeto juntos. Naquela época o Yahoo era uma empresa gigante, que dominava a indexação das páginas da web, graças a um exército de pessoas que trabalhavam para cataloga-las dentro do seu mecanismo de busca.

O projeto deles, fruto de pesquisa e inovação, era uma forma completamente nova e automática de indexar as páginas da web. Seu projeto era baseado no algoritmo recursivo PageRank, e evoluiu para se tornar um negócio chamado Google.

O que teriam feito se decidissem “não reinventar a roda”? Ou então se seus orientadores dissessem que “não queriam uma Ferrari”? Provavelmente contratado pessoas para catalogar sites também.

2

Um pesquisador, dentro da FedEx, decidiu perseguir um projeto para automatizar o planejamento de rotas e a ordenação das entregas de todos os veículos da companhia.

Investir 200 milhões de dólares em um algoritmo? Linhas de código?

Não era melhor pegar esse dinheiro e construir mais centros de distribuição? Investir em call centers para atendimento ao cliente? Marketing?

Este projeto chama-se ORION, e o CEO da FedEx estima que ele poupará 400 milhões de dólares anuais da companhia. Mas mais do que isso, ele é uma plataforma de inovação.

Inevitavelmente, sejam nos próximos 5, 10 ou 20 anos, teremos veículos autônomos circulando na ruas e fazendo entregas. Quem estará preparado para guiar uma frota autônoma com eficiência? Quem já sabe transformar uma malha de transporte e uma lista de destinos em rotas de custo mínimo.

Metáforas e ditados populares (2)

É possível sim, que você não precise de uma Ferrari.

Mas sempre pondere se “o barato não vai sair caro”.